História da peça
O ateliê como tema tem longa tradição na pintura ocidental, de Velázquez a Matisse, e sempre serviu para o artista discutir o próprio ofício. Juarez Machado entra nessa linhagem com a ironia que trouxe de duas décadas de desenho de humor no Rio de Janeiro, onde viveu a partir de meados dos anos 1960 e conviveu com os principais nomes da cultura brasileira. Aqui a inversão é evidente: o pintor está de costas e a tela permanece vazia, enquanto a modelo, que deveria ser o objeto do olhar, se ocupa de outra coisa, a leitura de uma carta. A obra é de 1984, dois anos antes de o artista fixar residência em Paris, e mostra um pintor já senhor do repertório figurativo lírico e teatral que o tornaria conhecido no exterior. Na curadoria da Galeria Luize Home, é a peça mais íntima do conjunto de Juarez, pensada para ambientes de convívio próximo, onde a cena pode ser observada de perto.




