História da peça
Segundo Graça Bueno, galerista responsável pela guarda do acervo do designer, foi diante de uma jangada no mar da Bahia que Jean Gillon concebeu a poltrona. A referência não é decorativa: a embarcação nordestina reaparece na lógica construtiva da peça, com uma estrutura de madeira que sustenta um trançado tensionado, como as redes dos pescadores, e um assento que se acomoda pelo próprio peso de quem senta. Gillon chegou ao Brasil em 1956 depois de uma trajetória que passou por Iasi, Paris, Israel e Viena, e trabalhou como gravador, cenógrafo, tapeceiro e pintor antes de se dedicar ao mobiliário. Em 1965 voltou sua produção à exportação, e foi nesse contexto, três anos depois, que a Jangada apareceu em feiras internacionais. Em 2015, o Museu da Casa Brasileira dedicou-lhe a exposição Jean Gillon: Artista-designer, com exemplares originais da poltrona ao lado de outras criações do autor. Na curadoria da Galeria Luize Home, a Jangada representa o momento em que uma referência popular brasileira foi traduzida em linguagem moderna sem virar folclore.





